terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Hosti.pitalidade


O que é diversidade? De acordo com o dicionário Michaelis este termo pode ser entendido como: 1. Qualidade daquele ou daquilo que é diverso; 2. Diferença, dessemelhança: Diversidade de interpretações; 3. Variedade: Diversidade de dons; 4. Contradição, oposição. Em resumo: aquilo que é diferente ou que se opõe de algum modo a conceitos estabelecidos.

Tal definição fica mais patente quando entramos no âmbito do concreto das relações humanas em que identificamos determinados grupos que “aterrorizam” inquestionáveis esquemas conceituais do ocidente: o negro em relação à pureza da raça branca; a mulher em relação ao homem; os idosos em relação aos jovens; os homossexuais em relação aos heterossexuais; os índios em relação ao branco civilizado; os travestis; as prostitutas; os pobres; os miseráveis; os abandonados; os órfãos não apenas de pais, mas da sociedade; os apátridas; os imigrantes; os refugiados. Nesse sentido, são grupos em que se questiona, a partir de determinados paradigmas, não apenas as opções feitas por alguns, mas também o direito de sua própria existência.

São grupos que são aceitos mais pelo signo da tolerância do que pelo respeito sincero e concreto da diversidade, ou melhor, da alteridade. A tolerância, algo defendido geralmente por todos, pode transmutar-se em indiferença concreta diante do sofrimento do outro ser humano, pois, ao lado da tolerância caminha a consciência tranqüila que não se sente mais interpelada pelo sofrimento de outrem, como se ela não tivesse nada a ver com isso, sendo a consciência tranqüila a prova de uma inocência diante dos problemas do mundo.


--- O problema não é meu!
--- Eles são assim mesmo!
--- Pobre é tudo igual!
--- Calma você também é filho de Deus!


Mas, onde fica então a minha liberdade? As minhas opiniões e as minhas escolhas? Será melhor ser hipócrita e tratar todos com fingida aceitação ou ser honesto e manifestar aquilo que eu realmente acredito e defendo? Quando nós somos tocados pela proximidade de outro ser humano, em sua alteridade, como reagimos diante de tudo isso? Eis a questão! Questão que surge não de mim, mas de outrem que abala e coloca em questão minha espontânea e arbitrária liberdade. A relação com o outro ser humano se apresenta então como o núcleo duro e indecomponível na cadeia das relações, pois, tudo o que ocorre em mim e no mundo, como cultura, está voltado para esta presença singular: o outro homem.

O problema da receptividade dessas diferenças, ou melhor, o problema do acolhimento e da hospitalidade é evidente: como acolher a diversidade sem violentá-la? Violência que pode não ser apenas física, mas pode ser conceitual quando impomos nossos valores e crenças, um processo de evangelização cultural.

Para além da tolerância, somos todos hospitaleiros? Hospitalidade, hostis (em latim), significa hóspede, mas também hostil, inimigo (DERRIDA, 2003). Encontra-se implícita uma tensão no próprio termo hospitalidade, ou seja, o diferente, o estranho, o estrangeiro (hostis) recebido como hóspede ou como inimigo. Hospitalidade, hostilidade, hostipitalidade (DERRIDA, 2003). Ressaltamos, novamente, que a relação com o outro homem se mostra como experiência original na qual nenhum de nós pode se furtar, e é justamente a partir dessa abertura fundamental para outrem próximo, nessa tensão implícita no seu acolhimento, que nossa existência é uma constante decisão a favor ou não da responsabilidade com outro ser humano.

“Não se trata de duvidar da miséria humana – do domínio que as coisas e os maus exercem sobre o homem – da animalidade. Mas, ser homem é saber que é assim. A liberdade consiste em saber que a liberdade está em perigo. Mas saber ou ter consciência é ter tempo para evitar e prevenir o momento da inumanidade. É o adiamento perpétuo da hora da traição – ínfima diferença entre o homem e o não-homem” (LEVINAS, 1961).

Assim, recolocamos a questão: ser animal ou ser humano?

TEXTO ADAPTADO



REFERÊNCIAS:


DERRIDA, Jacques. Anne Dufourmantelle convida Jacques Derrida a falar Da Hospitalidade. Trad. Antonio Romane. São Paulo: Escuta, 2003.

LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito (1961) Trad. José Pinto Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1980.

sábado, 28 de novembro de 2009

Zine-se!

por Karina Oyama Siqueira
Turminha do CR mostrando seus fanzines!

Fanzine, é uma palavra que pode ser desconhecida para alguns, mas que é um excelente instrumento pedagógico.
Esclarecendo: fanzine é uma pubilicação independente produzida, editada, copiada e distribuida ou vendida pelo seu próprio autor ou autores. A palavra vem da abreviação de fanatic magazine, ou seja, era uma revista feita por fãs para trocarem figurinhas sobre seus ídolos. Com o tempo os assuntos foram se ampliando e hoje em dia existem fanzines dos mais diversos assuntos, tipos e modelos.
Seu uso como instrumento pedagógico é bem simples e é parecido com o passo a passo de se montar um jornalzinho. A diferença é que o fanzine não precisa de regras ou de digitação. E é legal porque quase tudo é feito pelos alunos. São necessários dois momentos distintos para uma oficina de fanzine: a primeira parte, onde é produzido o fanzine e a segunda onde ele é montado e distribuido.
O primeiro passo é definir o tema que que será abordado e o nome que o fanzine terá. Depois, cada um, de forma espontânea, com colagens, desenhos, textos ou uma mistura de tudo faz a sua página (cujo tamanho será definido de acordo com o tamanho do fanzine final). O importante é deixar a imaginação correr solta. Depois de tudo feito é hora do educador colocar a mão na massa. As páginas são colocadas estratégicamente para formar o fanzine. Isso pode ser feito colando as páginas feitas pelos alunos em páginas em branco já com o formato final do fanzine, ou então, pode-se scannear as obras e montar tudo no Corel Draw ou no Photoshop.
Com o original em mãos é só ir até a xerox mais próxima e fa
zer quantas cópias quiser.
No encontro seguinte as cópias são montadas e grampeadas
junto com os alunos. E aí chega a parte mais bacana: distribuir a obra que eles fizeram - você consegue sentir neles o orgulho ser o autor de alguma coisa, que pode parecer pequena, mas também pode ser a semente de um novo escritor, blogueiro ou por que não, fanzineiro!

Olha aqui algumas páginas do fanzine da Turminha CR (turma de crianças, de 9 a 11 anos, da ONG 2A):


Achou muito complicado? Aqui tem algumas dicas de fanzines mais simples e também de outras atividades para crianças dessa faixa etária.
Quer conhecer meus fanzines? São dois: Kakarekos (que agora é só virtual) e EntreMundos (que tem a versão de papel e a virtual).

terça-feira, 24 de novembro de 2009

INTERESSE PESSOAL

A Talina falou no texto anterior sobre o crescimento do terceiro setor e a importância do voluntário nesta área. Fez ainda um convite : “CONHEÇA O 2A!”

Imaginei, então que alguns leitores ficaram curiosos, perguntando como ser voluntário, como é participar do 2A e o que fazer para ser voluntário dessa ONG.

Como educadora da ONG, acredito que é importante, porém, saber o que é ser voluntário, por isso, busquei a definição das Nações Unidas para esse termo, e encontrei o seguinte:

"o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem
estar social, ou outros campos..."

As motivações que fazem com que alguém se torne voluntário são diversas: crença religiosa, comprometimento social, etc., no entanto, chamo atenção para uma característica que inclusive está na definição das Nações Unidas: interesse pessoal.

A partir disso, eu poderia simplificar dizendo que quando estamos interessados em algo ou em alguém nos dedicamos àquilo ou àquela pessoa. De fato não é difícil comparar o interesse do voluntário ao de alguém que tem interesse por outra pessoa.

Senão, vejamos:

É de total interesse de quem ama cuidar do ser-amado.
É de total interesse do voluntário cuidar da ONG da qual faz parte.

É de total interesse de quem ama pensar em atividades a dois,planejar o futuro.
É de total interesse do voluntário pensar e planejar atividades da ONG.

É de total interesse de quem ama comparecer aos encontros e, caso não seja possível se fazer presente, avisar com antecedência.
É de total interesse do voluntário ir aos encontros da ONG, e, caso não seja possível, avisar previamente.

É de total interesse de quem ama pensar em como contribuir para o bem-estar e crescimento do ser-amado.
É de total interesse do voluntário usar a criatividade pra preparar atividades prazerosas e pensar no crescimento da ONG.

Mas dedicar-se a alguém ou a algo implica deixar-se de lado por um momento em detrimento do outro. Trocando em miúdos e trazendo ao trabalho voluntário no 2 A, onde as atividades acontecem aos sábados, a cada quinze dias, é deixar de ir à praia no sábado, por exemplo, para ir à atividade da ONG; é, às vezes, abrir mão de viajar num "feriadão" para ir a ONG, etc.
Não estou afirmando, contudo, que os voluntários do 2 A são “seres anti-sociais”...de jeito nenhum! Além de sairmos juntos pra tratar de assuntos da ONG e “jogar conversa fora” também podemos e temos nossa vida social, pois dispomos de um calendário, no qual estabelecemos datas de todos os eventos do semestre. Com isso podemos nos programar e conciliar viagens e outros eventos ao longo do semestre.


Caso você tenha se interessado e queira conhcer o 2A, pode entrar em contato através do e-amail: dayane_campelo@yahoo.com.br

Caso queira ler mais sobre voluntariado, aqui está uma indicação de livros:


CORULLÓN, Mónica Beatriz Galiano; FILHO, Barnabé Medeiros . Voluntariado na Empresa Gestão eficiente da participação cidadã. Editora Peirópolis, 2002. 144p.
CORULLÓN, Mónica. Trabalho Voluntário. Publicado pelo Conselho da Comunidade Solidária, 1996.
DAL RIO, Maria Cristina. O Trabalho Voluntário - uma questão contemporânea e um espaço para o aposentado. Editora Senac, 2004.
DOHME, Vania. Voluntariado equipes produtivas - Como liderar ou fazer parte de uma delas. São Paulo: Editora Mackenzie, 2001. 210p.
DOMENEGHETTI, Ana Maria. Gestão do Trabalho Voluntário em Organizações Sem Fins Lucrativos. Editora Esfera, 2001. 184p.
JUNQUEIRA, Luciano A. Prates. Voluntariado e a Gestão das Políticas Sociais. Organizador: Perez, Clotilde. Editora Futura, 2002. 390p.
ROUCO, Juan Jose; RESENDE, Marisa. A Estratégica Lúdica com CD - jogos didáticos para a formação de gestores de voluntariado. Editora Peirópolis, 2003. 135p.




segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Voluntários, eu escolho vocês!

Olá amigos,
É com prazer que compartilho o convite que recebi para participar de uma mesa redonda com tema INTERVENÇÕES NO TERCEIRO SETOR como parte do evento IV Expressão Católica – Conhecimento em debate organizado pela Faculdade Católica Rainha do Sertão em Quixadá/CE realizada no dia 29 de Setembro deste ano (2009). Na oportunidade reencontrei amigos como André Barreto e dividi a mesa com Letícia Flesch, ex-voluntários da ONG 2A – Acreditando e Aprendendo.
Remeti a minha experiência e participação de 9 anos na ONG 2A para fazer algumas reflexões sobre as necessidades emergidas no Brasil afora, e sobre a importância e responsabilidade da atuação do voluntário para o sucesso de inúmeras fundações, organizações, associações entre outras instituições que buscam fazer uma comprometida diferença neste país.
As necessidades econômicas, culturais, sociais, esportivas, política e de saúde e cidadania aumentam gradativamente com o crescimento da população, muitos são os problemas e necessidades. Os poderes público e privado tem, cada um ao seu ritmo, buscado fazer suas políticas públicas e intervenções respectivamente. Mas o que mobiliza imensamente as comunidades são as iniciativas da sociedade civil, iniciativas hoje cada vez mais organizadas, atuantes e permanentes. Tão diversos quanto os problemas são os focos de atuação das mesmas, cada uma fazendo sua parte para uma comunidade mais cidadã, politizada, com mais saúde, perspectivas e educação.
O terceiro setor cresce, amadurece e se formaliza a cada dia, está ficando “adulto”, ganhando respeito e credibilidade, atuando de forma séria, responsável e profissionalizada, para ter uma organização sólida, planejada e continuada. A comunidade beneficiada agradece, o trabalho se fortalece e ganha continuidade. Os parceiros aparecem, os investimentos vão sendo gerados com doações, venda de produtos e investidores (públicos ou privados, nacionais ou internacionais), a comunidade reconhece e dá os resultados e os voluntários alavancam todo este ideal.
E por falar em voluntários, estas “formiguinhas do sucesso” estão mudando seus perfis. As organizações precisam incondicionalmente deste profissional, mas, a ele cabe toda a responsabilidade, comprometimento e dedicação ao trabalho a ser executado. Comprometer-se com um trabalho comunitário não é tarefa fácil, tem que acima de tudo ser uma tarefa prazerosa e apaixonante. Se apaixonar pela causa, pela equipe de trabalho e pela comunidade. Essa paixão verdadeira “move montanhas”, pois ela impulsiona a criatividade, as melhorias, o compromisso e a busca por resultados cada vez melhores.
As organizações estão mais criteriosas com os seus componentes e levam aos voluntários o lema almejado pela ONG tratando-os com maiores exigências e profissionalismo. Não basta querer fazer uma caridade, uma boa ação ou ser “útil à sociedade”, tem que ser comprometido amorosamente pela tarefa de chegar a bons resultados, estabelecer vínculos afetivos com a comunidade e construir uma atuação com credibilidade, respeito a todos e respaldo social.
Um voluntário vive sem uma ONG, mas uma ONG não perdura sem voluntariado. Esta feliz mão-de-obra sempre será bem-vinda e desejada. Ouça seu coração, escolha sua ONG, apaixone-se pelo seu público e doe com fervor e comprometimento o que você estiver de melhor: seu tempo, seu talento, sua cientificidade, sua organização, sua criatividade, suas brincadeiras, sua paciência, sua palavra, sua leitura, sua saúde, seu talento, sua arte, sua alegria, sua paixão pela vida, seu amor pelo próximo. Conheça a
ONG 2A.

Talina Lóss – Psicóloga CRP 11/02940
Diretora Psicopedagógica da ONG 2A- Acreditando e Aprendendo

domingo, 8 de novembro de 2009

O 2A em minha vida

por Fabiana Siqueira

A Turminha do Crochê (Gleicinha, Geiziane, Edilânia e Vivi) e eu em frente ao Cantinho 2A

Venho acompanhando o 2A pela internet há algum tempo e sempre tive vontade de fazer parte dele. Quando saí de São Paulo para vir morar aqui em Fortaleza aproveitei a oportunidade e finalmente consegui fazer parte dele.

Estou bem feliz, nos primeiro encontros ajudei na secretaria e agora estou com uma turma: o CR1. Estou gostando bastante. É uma experiência nova pois ao mesmo tempo que ensinamos, aprendemos muito com esses baixinhos.

Ministro também uma oficina de crochê no Cantinho do 2A e o interesse dos meninos em aprender me deixou muito satisfeita.

Acreditando e Aprendendo com certeza teremos um futuro melhor para essas crianças.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SÍSIFOS?

por Demetrius Oliveira Thaim

Em sua obra Trópico de Câncer, Henry Müller escreve: “o homem com fome não é nada, a não ser um estômago rodeado de órgãos acessórios”. Charles Bukowski reafirma a frase de Müller ao escrever na obra Factótum: “a alma de um homem está profundamente enraizada em seu estômago”. Ambos passaram por momentos que são resumidos pela busca diária de um prato de comida (para ser honesto, Bukowski se interessava pelas bebidas). Busca do mínimo para suas sobrevivências! Claro que, posteriormente, alcançaram a fama e os problemas deste tipo foram ‘resolvidos’, ou seja, suas aventuras e desventuras foram temporárias, mas profundas a tal ponto de serem implicitamente retomadas em seus textos. Mas, a partir da leitura destes livros, surgiu a pergunta: e aqueles que cotidianamente sofrem por isso e, mais ainda, sem possibilidade de saírem desta busca? Aqueles que, além da procura diária por um prato de comida, têm a visão rotineira da violência, a sensação dolorida da indiferença, a certeza latente da exclusão?

Diante de tais fatos podemos nos perguntar se nossas atitudes como voluntários da ONG podem efetivamente proporcionar algum tipo de transformação dentro de tal comunidade já que nossos encontros são quinzenais, quatro horas, enquanto, que nossos educandos são diariamente expostos a tais situações. Nosso trabalho seria, então, inútil? Sem sentido? Pois, não enxergamos concretamente o resultado de nossos esforços?

--- Não adianta! Eles são assim mesmo!

Creio que nos movimentamos num espaço em que os resultados devem ser pacientemente gestados. Num espaço em que a esperança de uma transformação – que transformação? – deve ser buscada com insistência e, novamente, com muita paciência. Não acredito que nosso trabalho seja vão, mas é preciso perseverar e, mais ainda, lidar de frente com o fato de nossos esforços, por vezes, não trazerem os resultados que esperamos.

Lembro de Sísifo que foi condenado a rolar, eternamente, uma pedra para o cume de uma montanha. Chegando ao alto, a pedra rolava para baixo e, mais uma vez, ele a levava para cima. Parece-nos que Sísifo foi condenado a uma atividade sem sentido, uma atividade que não possui nenhum resultado e, mais ainda, exige esforços repetidos que não levam a nada. Por que Sísifo não deixou a pedra rolar por cima dele, matando-o e livrando-o dessa tarefa? Porque Sísifo aceitou seu ‘castigo’ e preferiu assumi-lo a fugir.

Podemos dizer que nossas atividades assemelham-se a aceitação de Sísifo? Ter consciência que carregamos uma enorme pedra e aceitamos o desafio de, constantemente, levá-la para o alto. Um esforço repetitivo – inútil? – mas, consciente. Sua subida e descida é movimento firme da aceitação de sua tarefa, o esforço constante da responsabilidade. Não fugimos. Não aceitamos explicações convenientes. Não damos soluções sem sairmos de casa. Aceitamos e sujamos as mãos. Enfim, assumimos! Como diz Camus: “É preciso fazer Sísifo feliz”.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A importância da Cultura em Nossa Vida

Neste semestre a turma AD (15 a 18 anos) está trabalhando o tema cultura. No último encontro foram selecionadas as melhores produções de texto. Confira:

"A cultura está presente em nossas vidas, em nossos costumes, nas etnias, nas comidas típicas. E não é só isso, esse tema vai além do que pensamos. Está presente naquilo que gostamos de fazer, de ver ou mesmo de assistir, como por exemplo artesanatos, quadros em exposição, artes, filmes, música ou peça de teatro. A cultura brasileira é bem diversificada. Podemos escolher o que vestir, o que cantar e ouvir, os estilos que queremos usar, quantos filhos queremos ter. Em outros países isso é diferente. Algums só permitem que se tenha 1 filho, ou preferem comer iguarias ou se vestir ou calçar de modo diferente. Nossa cultura é divinamente legal!
Não existe amarelo, branco, azul ou negro, o que existe é uma nação unida onde compatilhamos nossa cultura".
Aurilany Aguiar

"A cultura é algo importante para nossas vidas, pois estamos diretamente ligados a ela, seja no colégio, no trabalho ou em casa a cultura sempre estará lá para nos ensinar algo.
Com a globalização a cultura vem perdendo seu espaço para a internet. Um forte exemplo disso é que praticamente não utlizammos mais livros, tudo o que precisam é só ir na tal net pesquisar, imprimir e pronto.
Outra coisa que não é certo é não respeitar sua cultura. Se você conseguir conhecer e respeitar sua cultura, automaticamente aprenderá a respeitar as outras".
Cristiano Furtado

"Música, comida, arte, a cor da nossa pele. Tudo isso e cultra e isso é importante para todos nós. No nosso país temos o samba, as etnias e as belezas naturais. Nós, brasileiros somos muito alebres, pois nossa cultura faz com que sejamos assim. Se tivermos cultura, teremos tudo".
Davi Furtado Sousa

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A História do 2A - Parte 1


"Meu nome é Mitsue Oyama Siqueira (57), paulista, psicóloga clínica (abordagem transpessoal), casada há 36 anos com Luiz Antonio Siqueira, gerente de postos da BR Distribuidora em Recife (PE), mãe de Karina, Joanne, Wilian e Juliane.

Em julho de 1997, nos mudamos de Balneário Camboriú (SC) para Fortaleza. Após 1 semana aqui instalados, Bete entrou em nossas vidas como secretária doméstica, nos apresentando um mundo novo e perigoso: a favela Santa Filomena, local onde morava.

Após 1 ano de convivência, eu ainda estudante de psicologia, ela pediu para que conversasse com sua filha de 13 anos, precocemente interessada em sexo, num contexto recheado de mães adolescentes e muitas vezes com mais de um filho, de pais diferentes. Bete desejava um futuro melhor para seus filhos e não sabia como abordar assuntos como prevenção de gravidez e DSTs. Pedi para que ela aguardasse passar o período de provas na faculdade, para que ela trouxesse a filha numa tarde de sábado em casa.

Nesse ínterim, conheci José Bleger, na disciplina de Psicologia Institucional, que pregava:
  1. A prevenção como meio mais rápido e barato para a saúde da população;
  2. A ida do psicólogo clínico à comunidade cuja demanda é tanto tamanha quanto desconhecida. Convida o profissional a largar o conforto de seu consultório e ir até onde há necessidades múltiplas, e
  3. O estudante de pisicologia está habilitado a arregaçar as mangas.
- Eu posso? Me questionei, pois desde o 1º semestre percebia as lacunas em todas as áreas e dizia a mim mesma: - Quando eu me forma vou..."

Parecia que Bleger falava através da professora Patrícia para mim. Cresci com essa validação: não preciso esperar a formatura, fui autorizada.

Quando cheguei em casa, nesse mesmo dia, ouvi a chamada do
Jornal Nacional: - Enquanto o número de adolescentes grávidas aumenta, suas idades diminuem. A reportagem mostrava a primeira discussão nacional sobre o aborto de uma fanzina menina de 10 anos, com uma boneca no colo.

Juntando o pedido da Bete, a fala mágica de Bleger e a voz grave de Sérgio Chapelin, me pareceu uma mensagem do Papai do Céu: - Vá até a favela, converse com a Cristina e suas amigas, vizinhas e parentes sobre sexo, métodos contraceptivos, DSTs e afins.

Bete não aprovou a idéias da ida a favela, pela falta de segurança, mas conseguiu uma sala no Colégio mais próximo, pois haviam 27 meninas interessadas em me ouvir e não havia casa que comportasse esse número de pessoas.

Assim, em 31 de outubro de 1998 nasceu o
2A - Acreditando e Aprendendo, no Colégio José Barros de Alencar".

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Música e Educação: um casamento feliz

por Iuri Gaier

O que era senso comum agora tem base científica para sustentar-se: a música é uma poderosa aliada educacional. Não só para acalmar e disciplinar aquela classe de adoráveis educandos,

ou para deixar aquela insuportável aula de física quântica mais interessante, mas para estimular diversas áreas do cérebro e facilitar o aprendizado.

Projetos para o 2A com instrumentos de percussão confeccionados pelos próprios educandos seriam uma iniciativa muito bem vinda, que além do baixo custo desenvolveria a musicalidade dos participantes.

A música é muito importante não só para sensibilizá-los para a música ou para que se tornem artistas extremamente virtuosos, mas para que outras áreas do cérebro sejam estimuladas também.

Sabe-se que a que a área cerebral responsável pela música está muito próxima da área de raciocínio lógico-matemático (as conexões nervosas acionadas ao se executar uma obra clássica são muito próximas daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica, no córtex cerebral esquerdo). A música é um dos estímulos mais potentes para estimular os circuitos do cérebro. Além de tudo ainda contribui para a compreensão da linguagem e para o desenvolvimento da comunicação, para a percepção de sons sutis e para o aprimoramento de outras habilidades.

Pesquisas realizadas com o intuito de provar essa característica de estímulo cerebral da música mostram que, depois de meses de aula de piano e canto, crianças mostraram melhores resultados na cópia de desenhos geométricos, na percepção espacial e no jogo de quebra-cabeças do que as que não tiveram aulas de música.

Assim também se observou que músicos destros têm mais habilidade com a mão esquerda do que pessoas canhotas.

Casar música e educação dentro de uma sala de aula, além de gerar resultados animadores e gratificantes, faz com a difícil tarefa de ensinar seja muito mais gostosa e divertida. E não é só o aluno que ganha com isso!





terça-feira, 1 de setembro de 2009

“Declaração do Milênio”

por Sylene Ruiz

“Precisamos mais do que nunca, do engajamento dos voluntários para que o nosso desejo de um mundo melhor para todos se transforme em realidade” – Kofi Annan (Secretário Geral da ONU).


Dando continuidade aos Posts anteriores, por sinal, bem colocados por nossos amigos educando, onde já foi falado de cidadania e voluntariado, vamos declarar os “Objetivos do Milênio”. Sim, para nós que trabalhamos em projetos sociais é importante conhecer a convergência da opinião pública internacional a cerca dos desafios que afligem a sociedade contemporânea.

Em uma matéria publicada no jornal Diário do Nordeste - julho de 2009 (www.projetossociais.org) nos revela que no ano 2000, a ONU – Organização das Nações Unidas, reunida com representantes de quase 200 países, ao analisar os maiores problemas mundiais, estabeleceu objetivos comuns, sintetizados numa declaração chamada “Objetivos do novo Milênio”, que didaticamente tornou-se conhecida e divulgada como “8 jeitos de mudar o Mundo”. Uma espécie de missão do “mundo para o mundo”, onde algumas prioridades foram colocadas para que nossa sociedade como todo, pudesse ter uns rumos certos e objetivos a serem alcançados no novo milênio.

Essas ações propostas foram colocadas a partir de análises aplicadas a cada território geográfico, padrões culturais, relacionamento político estabelecido, nível de desenvolvimento da sociedade etc. daí dada à universalização dos princípios básicos tornam-se aplicáveis a todos os povos.

Eis as 8 prioridades:

1- ACABAR COM FOME E A MISÉRIA;

2- EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODOS;

3- IGUALDADE ENTRE SEXOS E VALORIZAÇÃO DA MULHER;

4- REDUZIR A MORTALIDADE INFANTIL;

5- MELHORAR A SAÚDE DAS GESTANTES;

6- COMBATER A AIDS, A MALÁRIA E OUTRAS DOENÇAS;

7- QUALIDADE DE VIDA E RESPEITO AO MEIO AMBIENTE;

8- TODO MUNDO TRABALHANDO PELO DESENVOLVIMENTO.

Para maior esclarecimento de cada item segue o link: http://www.objetivosdomilenio.org.br/

Bom gente.., o que me deixa feliz não é, claro, o fato de essas questões existirem, mas sim que nós terráqueos e meros mortais possamos tomar ações voltadas para uma vida mais justa e igualitária. _ Parece até “filosofia barata” ou frases já batidas, mas ainda existe muita gente que acha que os problemas sociais são de responsabilidade somente do governo e escondem-se por trás disso para não poder cumprir o seu papel de cidadão.

Apenas quero atentar para que simples ações que tomamos em nosso dia-a-dia como não desperdiçar comida, água, energia, não jogar lixo nas ruas e dedicar um tempo as pessoas necessitadas possam assim contribuir para um desenvolvimento positivo em nosso meio, afinal, as mudanças acontecem primeiramente dentro de nós em nossas atitudes e ações, e se percebermos, essas ações ainda estão inclusas nas 8 prioridades defendidas.

Façam uma boa leitura!

É isso aí!


domingo, 23 de agosto de 2009

O deserto do conhecimento


Meu nome é Phillipe Sena. Tenho 23 anos. Sou formado em Educação Física e estou aqui para contar como a atividade física mudou minha vida.

Antes de entrar na faculdade eu tinha a idéia de que a prática de exercícios físicos só servia para a diversão. Meu primeiro estágio foi na academia do meu primo. Era negócio de família e, apesar de não pagar nada, me ensinou que o sucesso, profissional ou pessoal, só chega através do nosso esforço. Acredito que é bem melhor investir em nosso futuro, do que fazer algo somente por dinheiro, sem gerar reconhecimento e principalmente conhecimento.

O exercíci físico é tão importante para o corpo quanto para a mente. É fato que uma atividade bem direcionada pode gerar melhora nos estudos - na concentração, memória e paciencia.

No 2A aprendo o quanto é importante valorizar as pessoas. Nunca pensei que teria tempo para participar de algum projeto voluntário, mas depois que comecei meu trabalho se tornou mais produtivo e alegre. Saber que estou ajudando alguém com o pouco que aprendi é muito gratificante. Somos um grão de areia no meio do deserto de conhecimento, e cada grão tem sua importancia e seu valor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ser voluntário é...

por Roberta Murta
É regar todos os dias seres para conseguirem ter a capacidade de semearem brincadeiras e florirem sorrisos.

Ser voluntário é fantasiar um mundo feliz e alegre para evitar medos e receios. É mostrar que brincar e ajudar é fundamental.

Ser voluntário é ser responsável, dedicado e corajoso, é ter sentimentos, é ser bondoso, é ter um coração gigante.

Ser voluntário é ter amigos com quem partilhar, é uma maneira de relativizar os próprios problemas e dar atenção a outros mais graves. É tentar dar o dia de amanhã a quem não tem esperança de dias melhores.

Ser voluntário é despertar o bom que há em nós e nos outros, é ajudar e ser ajudado, é fazer a diferença, é sentir-se útil, é ACREDITAR E APRENDER.

Seja voluntário e ajude quem precise!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

o 2A e eu

texto de Maria Eliziane Lima de Sousa, 21 anos. Participou do 2A dos 10 aos 15 anos. Hoje é atendente de consultório odontológico, está terminando o 2º grau e pretende prestar vestibular.

A minha vida foi diferente da vida das minhas amigas graças ao Projeto 2A, que me mostrou direitinho tudo o que eu precisava saber naquele momento.

Quando se é adolescente tudo se torna grande e complicado. O 2A me ensinou como eu poderia simplificar as coisas. E mais: como cuidar do corpo, dos cabelos, da saúde...de tudo mesmo!

Recebíamos conselhos e, entre aulas e brincadeiras, aprendi que não se brinca com sexo, drogas ou escola. Conheci amigos e construí sonhos. Cresci por dentro e descobri coisas que minha mãe e a escola não poderiam ensinar.


Apresentação da oficina de Dança do Ventre na Festa de Natal de 2003. Sou a terceira da esquerda para a direita.

Hoje sou tudo o que gostaria de ser graças aos monitores do 2A, que trazem do mundo deles uma outra idéia de vida e de futuro para cada um dos participantes.

Acreditei e aprendi que boas pessoas com boas intenções podem mudar muitas vidas.

Obrigada mesmo!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Oficina de Arte-terapia para pais da ONG 2A

Um relato da experiência, aprendizado e emoções.
por Talina Lóss de OliveiraPsicóloga. Especialista em Administração de RH. Formação em Arte-terapia. Diretora Psicopedagógica da ONG 2 A.

O ASCA – Ampliando Saberes Construindo Amizades é a turma dos pais da ONG 2A em toda sua existência representada por mães. Hoje com mais de três anos de trabalho conseguimos uma turma volumosa, assídua e comprometida com a educação dos filhos, com a busca por novos conhecimentos e por sua valorização pessoal.

ASCA - Ampliando Saberes, Construindo Amizades

E foi identificando nelas a representação deste espaço como d
e valorização pessoal que foi proposta no semestre passado uma oficina de arte-terapia, com o objetivo de canalizar emoções positivas, diluir fatores dificultadores da rotina pessoal, além de proporcionar um espaço de produção e criatividade.

A Arte-terapia tem como proposta terapêutica a expressão artística como intermediadora para chegar às emoções do indivíduo. Podendo ser mediada por dança, teatro, música e artes plásticas esta última foi a nossa escolha como recurso predominante na oficina.


Optamos por enfatizar temas que propusessem o resgate da auto-estima, a valorização de fatores positivos do cotiadiano, a tomada de decisão, o companheirismo e amizade entre o grupo, que na comunidade são vizinhas.

Conduzimos sete encontros e nestes adotamos atividades onde utilizamos alguns recursos das artes plásticas: 1. Pintura acrílica em papel, 2. Pintura acrílica em CD, 3. Desenho com lápis de cor em papel, 4. Scrapbooking (técnica de decoração de álbum de fotografia) em vinil, 5. Colagem de sementes e grãos em papel, 6. Picote de revistas e colagem em papel. Não desprezando a aula de substituição que a colega Dayane ministrou no 7º encontro com a arte de contação de história.

A Turminha Fazendo Scrapbooking


A proposta da oficina de Arte-terapia gerou sentimentos e comportamentos nunca manifestados em semestres anteriores pelas mães. Foi possível obter concentração e empenho na realização das tarefas. Apego e zelo pelos materiais produzidos. Respeito e acolhimento das colegas durante o compartilhar. Desabafos, relatos de bem estar e lágrimas de pesar retrataram a confiança e credibilidade adquiridas. Desafiaram-se a construir e representar o belo e fatores positivos do cotidiano com apreço e esmero. A afetividade também aflorou, dividimos materiais, nos abraçamos ao nos despedirmos, nos confraternizamos durante o lanche e oramos juntas a pedido delas (gesto acolhido embora não há nenhuma tendência religiosa na proposta da ONG 2A).

A música de fundo nos acompanhou durante as atividades, iniciávamos com um relaxamento breve, em algumas tarefas utilizei de visualização criativa, conduzíamos a orientação para realização da tarefa e acompanhávamos com todo suporte técnico (com materiais) e psicológico, presente e atenta sempre! Após conclusão de todos os trabalhos fazíamos o compartilhar facultativo e encerrávamos com um acolhedor abraço coletivo, desejando nos encontrar em nosso próximo encontro. Os filhos menores de algumas mães estavam presentes, buscamos não nos desconcentrarmos. Iniciamos com 18 participantes e apenas 4 não puderam dar continuidade.

Indico a realização desta oficina nos trabalhos comunitários realizados Brasil a fora não esquecendo da segura postura e técnica do profissional na condução e utilização das ferramentas de arte-terapia no nosso caso apoiadas pelos materiais e bibliografias abaixo citadas:
Materiais disponibilizados pela ONG 2A – Acreditando e Aprendendo
Apostilas do CURSO DE FORMAÇÃO EM ARTE-TERAPIA. Elaboradas pela Psicóloga Márcia Melo de Araújo, 2000.
Carvalho, Maria. A ARTE CURA? EdpsyII, 1995.
Pain, Sara. e Jerreau, Gladys. TEORIA E TÉCNICA DA ARTE-TERAPIA. Ed. 2. Artmed, 2001.
Rhyne, Janie. ARTE E GESTALT: PADRÕES QUE CONVERGEM. Ed. Summus, 2000.

Coloco-me a disposição para tirar dúvidas e obterem sugestões de atividades. Um carinhoso abraço a todos que puderam prestigiar a emoção relatada deste artigo.